Autor: Vanderlei Holz Lermen
O amor é um negócio perigoso.
É como o fogo. Já imaginou como seria a sua vida sem o fogo?
Com o fogo podemos trabalhar
da forma como queremos um dos elementos mais duros e fortes que conhecemos: o aço.
É com o fogo que o derretemos, que o amolecemos e o torcemos, dobramos,
transformando-o em estruturas que constroem nossas casas, prédios, veículos,
ferramentas, bem como também criamos belas esculturas. O amor tem o mesmo efeito. Com ele amolecemos
e derretemos corações, moldamos pessoas duras e rudes e transformamos em
beldades.
A
maior força de vida para a Terra, como para todo o Universo é o fogo: sem o Sol
como seria a vida humana?
O
fogo é uma força e fenômeno da natureza que impulsiona todo o movimento das
criaturas e dos astros. Quando olhamos na claridade de um novo dia é ao fogo
que o devemos. Quando o Sol não nos aquece devido à atmosfera densa de nuvens à
volta da Terra que não deixa os raios luminosos penetrarem, é ainda ao fogo que
devemos o ameno ambiente que vivemos criado pelas altas temperaturas da Terra.
E
se há um ponto minúsculo no céu a brilhar em meio da escuridão é também ao fogo
que devemos essa luz qual vida nessa imensidão do Cosmos. O fogo é vida, e um
Cosmos permeado de estrelas diz-nos que a Vida está semeada para além de nós.
Contudo, esta fonte da Vida, pode também transformar-se num elemento temível.
O
amor queima como o fogo. Já dizia o grande poeta Luís Vaz de Camões em seu
poema Amor é um Fogo que Arde sem se Ver:
Amor é um fogo que arde sem
se ver;
É ferida que dói, e não se
sente;
O
fogo, assim como o amor queima, faz doer, faz sofrer. O fogo queima nossas
casas, florestas, nossa pele. O amor queima nossos sentimentos, esperanças,
nosso coração.
O fogo nos aquece. No inverno, aqui no Sul, as
lareiras e fogões a lenha, através do fogo, tornam nossas casas aconchegantes,
quentinhas. O amor aquece nossa alma, nossa vida. Afasta o frio da solidão e da
tristeza.
Ah,
o amor e o fogo são tão parecidos. São a coisa mais importante do universo, mas
também podem nos arruinar.
Aquele
cupido que pode nos mandar uma flecha de amor, que dá um novo brilho em nossa
vida, também pode nos mandar uma flecha de ferro em brasa, que queima os
sentimentos bons.
Sempre
teremos os dois lados. De cada sentimento, de cada objeto, de cada ação. O lado
bom e o ruim. O lado frio e o quente, o triste e o alegre, o ódio e o amor.
As vezes oferecemos a uma pessoa um fogo bom. Um
fogo de amor, que não queima, que não machuca. Um fogo na temperatura certa
para aquecer, mas não queimar. Para iluminar, mas não cegar. Para moldar, mas
não derreter. Uma nova chama para acender uma esperança na vida dessa pessoa e
cobrir as tristezas passadas. Oferecemos o melhor, o mais sincero e honesto.
Recebemos um balde de água fria. Tão fria que apaga a chama dada, e apaga a
nossa chama, acaba com o nosso fogo e o nosso calor.
Agora
já falamos do amor e do gelo. Que também são parecidos.
O
gelo no nosso planeta controla a temperatura para não nos queimarmos com o fogo
do qual falei antes. Ele é fundamental para a vida humana. O amor também é.
Mas, assim como o gelo, amor pode nos matar, nos congelar, nos endurecer. Um
amor não correspondido ou tratado como uma brincadeira, um deboche nos faz
muito mal. Nos congela para buscarmos o amor. Uma pessoa que ama e não é
correspondida, uma pessoa que ama e é tratada com frieza, com ironia pelo seu
sentimento fica como se estivesse em meio a um ambiente congelado. Fica inerte.
Não consegue ter reação. Por mais que ande, estará sempre fria, e mesmo que
encontre novamente o fogo do amor para se aquecer, ficará com medo daquele frio
que poderá receber da outra pessoa e acabar com o seu fogo novamente.
E
isso vai se repetindo, ate que a pessoa se acostume a ficar com a chama do amor
para si, e não querer mais dividi-la com ninguém, que no momento em que uma
outra pessoa lhe oferece uma chama, essa pessoa ofereça a outra pessoa o gelo,
e acabe colocando em seu lugar uma outra pessoa. Isso é um instinto de defesa.
Isso é a força do hábito.
A
chama perfeita do fogo do amor é algo raro. Encontramos chamas do fogo do amor
aos montes por aí. Chamas que brilham, que são fortes, que conquistam
rapidamente, mas que tão rapidamente também se apagam. Elas são feitas de um
material combustível que queima e se acaba rapidamente, chamado de paixão. Elas
não resistem a ventos que sopram, não resistem a chuviscos. Logo se apagam.
Chamas
verdadeiras, perfeitas, continuam queimando com vento, com chuva. Podemos
compará-las aos antigos lampiões a querosene. Eram usado a noite, em tormentas,
em chuva e não apagavam. Resistiam ao máximo aos piores inimigos, mas não
apagavam. Assim é o verdadeiro amor. Ele não precisa necessariamente queimar de
inicio grandiosamente. Ele queima devagarzinho, fraquinho, e com o tempo, com o
aumento de química vai ficando mais forte, mais forte, ate ficar resistente.
Tão resistente como a chama daqueles lampiões.
Analise
a imagem. Faça de conta que os fósforos que formam o coração sejam o amor. Você
pode acender um de cada vez. O amor vai sendo construido lentamente, acendendo
um de cada vez, esperando ele queimar, e ai acender o outro. No amor você vai
conquistando a pessoa devagar, ou vai deixando conquistar-se devagar. Até que
todos tenham se acendido levará muito tempo. Levará uma vida.
Mas,
você pode acender os fósforos todos de uma vez. Terá uma chama grande, um amor
ardente, forte. Mas, irá ter o fogo do amor por pouco tempo. O que antes levou
dezenas de anos, aqui vai levar somente uma parte dessas dezenas para queimar,
e logo se apagará. Muito forte de início, dura pouco tempo. Vai acendendo com o
tempo, dura muito tempo. Uma vida inteira.
PENSE
NISSO. REFLITA COMO VOCÊ ESTÁ TRATANDO O SEU AMOR, E PRINCIPALMENTE O AMOR QUE
LHE É OFERECIDO. Seja como o lado bom do fogo, e a chama do lampião. Não faça
como o gelo ou o fogo que queima a coração.
“Essa
publicação não poderá ser reproduzida sem a autorização do autor. Para reproduzi-la
entre em contato pelo email holzlermen@hotmail.com”